Tabela de Temporalidade de Documentos: O Que É e Como Fazer a da Sua Empresa

18/07/2026
Planilha impressa de tabela de temporalidade de documentos sobre mesa de escritório, com pasta suspensa, caneta e caixa de arquivo ao fundo.
8 min de leitura· Tabela de temporalidade

Guardar todo documento para sempre enche a empresa de papel e de custo. Jogar fora cedo demais deixa você sem prova na hora de uma fiscalização. No meio desses dois erros existe uma ferramenta simples que quase nenhuma empresa privada usa direito: a tabela de temporalidade.

Ela é o que separa um arquivo organizado, que você controla, de uma sala de arquivo morto que ninguém sabe o que tem dentro. Neste guia você vê o que é a tabela de temporalidade, para que ela serve e como montar a da sua empresa, com um exemplo pronto para adaptar.

O que é tabela de temporalidade?

Tabela de temporalidade é o documento que define, para cada tipo de papel que a empresa produz, por quanto tempo ele fica guardado e o que acontece com ele no fim do prazo: vai para o descarte ou fica em guarda permanente. No mundo dos arquivos, o nome completo é Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos, ou TTD.

Ela responde a três perguntas sobre cada documento: quanto tempo ele precisa ficar por perto enquanto está em uso, quanto tempo ainda precisa ser guardado depois disso por exigência legal, e para onde ele vai quando esse prazo vencer. Sem essas respostas escritas, cada pessoa decide por conta própria, e é aí que nota fiscal vira lixo antes da hora e ficha de funcionário de 1998 continua ocupando prateleira.

A tabela costuma andar junto com o plano (ou código) de classificação de documentos, que organiza os papéis por tipo e função. Um diz o que é cada documento; o outro diz por quanto tempo ele vive.

Para que serve a tabela de temporalidade?

Numa empresa, a tabela de temporalidade resolve quatro dores de uma vez.

Ela corta o custo do arquivo. Com prazo definido, você para de guardar papel vencido e libera espaço, prateleira e aluguel de galpão para o que gera valor.

Ela protege numa fiscalização. Quando o auditor pede um documento fiscal ou trabalhista, você sabe se ainda tem obrigação de apresentar e onde ele está, sem revirar caixa por caixa.

Ela ajuda a cumprir a LGPD. A lei manda descartar dado pessoal quando ele não é mais necessário. A tabela é o que registra qual é esse momento para cada documento, o que evita guardar CPF e ficha de cliente por tempo indeterminado.

Ela acaba com a indecisão. Ninguém precisa parar para adivinhar se pode descartar aquela pilha. A regra já está escrita e vale para todo mundo.

As colunas de uma tabela de temporalidade

Uma tabela de temporalidade tem, no mínimo, quatro informações por linha:

  • Tipo de documento: nota fiscal, contrato de trabalho, folha de pagamento, contrato social.
  • Prazo na fase corrente: quanto tempo o documento fica em uso ativo, à mão.
  • Prazo na fase intermediária: quanto tempo ele ainda precisa ser guardado depois de sair de uso, por exigência legal.
  • Destinação final: o que fazer quando o prazo acabar, ou seja, eliminação ou guarda permanente.

A soma da fase corrente com a intermediária é o prazo total de guarda. A destinação é a decisão que fecha o ciclo: documento que já não serve para nada e não tem valor histórico é eliminado com registro; documento com valor legal permanente ou histórico fica guardado para sempre.

Exemplo de tabela de temporalidade para empresa

Este é um modelo simplificado com documentos que aparecem em quase toda empresa. Os prazos vêm da legislação (Código Tributário, CLT, legislação previdenciária) e servem de ponto de partida para você adaptar à sua realidade.

Tipo de documentoGuarda totalDestinação final
Notas fiscais e livros fiscais5 anos (até 11 para fins fiscais, Ajuste SINIEF 02/2025)Eliminação
Folha de pagamento e cartão de ponto5 anosEliminação
GFIP e guias de FGTS5 anosEliminação
PPP e PPRA (saúde e segurança)20 anos após o desligamentoEliminação
Contrato de trabalhoDurante o vínculo, mais os prazos de prescriçãoEliminação após o prazo
Livro Diário, Razão e balançosPermanenteGuarda permanente
Contrato social, atas e estatutoPermanenteGuarda permanente

Dois cuidados que valem para qualquer tabela: documento ligado a processo judicial em andamento não entra na fila de descarte, mesmo com o prazo fiscal vencido; e prazo de guarda de documento privado é orientado pela lei, então na dúvida vale confirmar com o seu contador ou jurídico.

Como montar a tabela de temporalidade da sua empresa

Empresa privada não é obrigada a seguir uma tabela oficial como os órgãos públicos, que usam modelos aprovados pelo CONARQ. Mas ela ganha muito ao construir a sua. O caminho é este:

  1. Levante os tipos de documento. Liste tudo que a empresa produz e recebe, por setor: fiscal, trabalhista, contábil, contratos, societário.
  2. Encontre o prazo legal de cada um. Use a legislação como base e o apoio do contador para os casos específicos.
  3. Defina a destinação. Marque cada tipo como “eliminar após o prazo” ou “guarda permanente”.
  4. Escreva e aprove a tabela. Registre em um documento único, com a data e o responsável, e faça a diretoria validar.
  5. Aplique e revise. Use a tabela para decidir descarte e digitalização, e revise quando a lei mudar.

Tabela pronta, e agora? Digitalizar e descartar

A tabela diz o que fazer, mas ainda falta executar. Documento que chegou na destinação “eliminação” precisa de descarte seguro, com fragmentação e certificado, principalmente quando tem dado pessoal, para atender à LGPD. Documento que fica, mas não precisa mais existir em papel, pode ser digitalizado com validade jurídica dentro do Decreto 10.278/2020 e liberar o espaço físico.

É essa combinação que tira a empresa do acúmulo: a tabela decide, a digitalização reduz o volume e o descarte seguro fecha a conta.

Como a Documentalize ajuda

Na Documentalize, a gente monta e aplica a tabela de temporalidade junto com você: levanta os tipos de documento, define prazos e destinação, digitaliza com validade jurídica o que precisa continuar acessível, guarda em ambiente profissional o que ainda exige o original e descarta com registro o que já venceu. Para o volume que fica, usamos compactação a vácuo, que reduz até 80% do espaço das caixas.

Mais de 1.800 empresas já organizaram o acervo assim, de cartório e clínica a indústria, com atendimento em Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis.

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Perguntas frequentes

É o instrumento que define, para cada tipo de documento, por quanto tempo ele deve ser guardado e qual o destino no fim do prazo: eliminação ou guarda permanente. O nome técnico é Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos (TTD).

Para saber o que guardar, por quanto tempo e o que descartar, com base na lei. Reduz custo de arquivo, protege em fiscalização e ajuda a cumprir a LGPD ao descartar dado pessoal no momento certo.

Órgãos públicos seguem tabelas oficiais aprovadas pelo CONARQ. Empresa privada não tem essa obrigação formal, mas construir a própria tabela evita multa por descarte precoce e acúmulo de arquivo morto.

O plano de classificação organiza os documentos por tipo e função. A tabela de temporalidade diz por quanto tempo cada um é guardado e para onde vai depois. Os dois trabalham juntos.

Sim, quando a digitalização segue o Decreto 10.278/2020 (integridade, metadados e, quando exigido, assinatura ICP-Brasil) e o documento já cumpriu o prazo de guarda ou não exige mais o original. O descarte deve ser seguro e registrado.

Tabela de temporalidadeGestão documentalLGPD