CNJ Recomendação nº 11: O Que Cartórios Precisam Saber

26/02/2026
Livros de cartório encadernados sobre balcão, ilustrando acervo a ser digitalizado conforme CNJ
7 min de leitura· Cartórios

Contexto: por que a Recomendação existe

Os cartórios extrajudiciais — Notas, Registro de Imóveis, Civil de Pessoas Naturais, Títulos e Documentos, Protesto — guardam acervos centenários, frequentemente em livros encadernados manuscritos. A Recomendação nº 11/2013 do CNJ nasce para orientar a digitalização desse patrimônio com critérios de autenticidade, integridade, segurança e acessibilidade, evitando que cada cartório invente sua própria metodologia.

Mesmo não sendo norma cogente isolada, é referência forte das Corregedorias estaduais e do CNJ em correição. Cartórios que seguem padrão sólido têm muito menos risco regulatório.

Principais diretrizes

  • Preservar o documento físico — digitalização não autoriza descarte de livros notariais.
  • Garantir integridade dos arquivos digitais (hash, controle de versão).
  • Assegurar autenticidade por meio de assinatura digital ICP-Brasil quando aplicável.
  • Manter rastreabilidade do processo: quem, quando, como, com que equipamento.
  • Indexar com metadados que permitam recuperação eficiente.
  • Adotar formato de preservação (PDF/A).
  • Política de backup com cópias em locais distintos.

Padrões técnicos recomendados

  • Resolução: mínimo 300 dpi para texto; livros antigos manuscritos costumam ir a 400–600 dpi.
  • Cor: RGB 24 bits para manuscritos, monocromo só quando o original é texto datilografado limpo.
  • Formato: entrega em PDF/A com OCR embutido; preservação de master em TIFF sem compressão quando justificado.
  • OCR: camada de texto pesquisável, ainda que manuscritos antigos limitem o reconhecimento.
  • Captura: scanners planetários com berço em V para livros encadernados — preserva a encadernação histórica.

Interoperabilidade: SAEC, e-Notariado, CENSEC

Os Serviços de Atendimento Eletrônico Compartilhado (SAEC)e plataformas como e-Notariado, CENSEC e ONR assumem que o acervo do cartório está digitalizado e estruturado. Sem digitalização robusta, o cartório não consegue entregar certidão online com a rapidez exigida — perde clientes e fica mal avaliado em correição.

Como conduzir um projeto de digitalização em cartório

  1. Diagnóstico: mapeie livros, estado de conservação, prioridade.
  2. Piloto: digitalize 1 livro completo para validar parâmetros (resolução, OCR, indexação).
  3. Plano: defina ordem, prazos, custo, fornecedor com experiência em cartório.
  4. Execução in loco: documentos cartoriais não devem sair da sede — scanner vai até o livro.
  5. Indexação: número do livro, folha, ato, data, partes — chave para o SAEC.
  6. Conferência: 10% das páginas amostradas para QA.
  7. Carga no sistema: ingestão no GED do cartório.

Perguntas frequentes

É um ato normativo do Conselho Nacional de Justiça que orienta os cartórios extrajudiciais sobre a digitalização do acervo, com foco em segurança, integridade, autenticidade e acessibilidade dos documentos digitalizados.

Como o nome diz, é uma recomendação — não obriga isoladamente como faria uma resolução. Mas estabelece o padrão técnico esperado pela Corregedoria e é referência em fiscalizações. Cartórios que se afastam dela ficam expostos em correição.

PDF/A para o documento finalizado (garantia de preservação), TIFF para imagens de alta fidelidade quando aplicável, e camada de texto (OCR) embutida para pesquisa. Resolução mínima geralmente em 300 dpi para texto e mais alta para livros antigos.

Cada documento digitalizado deve ter metadados que permitam recuperação: tipo de ato, número do livro, folha, data, partes envolvidas. Sem indexação adequada, a digitalização vira só fotografia de papel.

Os serviços eletrônicos compartilhados (CENSEC, Central de Atos, e-Notariado) exigem que o acervo esteja digitalizado e estruturado para interoperabilidade. A digitalização deixa de ser projeto interno e passa a ser pré-requisito de participação nas plataformas nacionais.

Sim. Existem scanners planetários com berço em V que digitalizam livros sem abrir além do ângulo seguro, preservando a encadernação histórica. É exatamente o tipo de equipamento usado em digitalização de cartórios e acervos especiais.

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